Perfil do Jogador de Apostas em Portugal: Idade, Nacionalidade e Dados SRIJ
Quase 5 milhões de contas e 1,2 milhões de jogadores ativos
A pergunta “quem aposta em Portugal?” parece simples. A resposta, quando olhamos para os dados do SRIJ, revela um retrato mais complexo e surpreendente do que a maioria das pessoas imagina. No final do quarto trimestre de 2025, os registos de jogadores atingiram quase 5 milhões de contas. Cinco milhões — num país com cerca de 10 milhões de habitantes. O número é inflacionado por contas inativas, contas múltiplas e registos abandonados, mas mesmo assim dimensiona a penetração do jogo online na sociedade portuguesa.
O dado mais relevante para perceber a realidade do mercado é o número de jogadores ativos: aproximadamente 1,2 milhões no quarto trimestre de 2025. São estas as pessoas que efetivamente apostaram dinheiro nesse período — cerca de 12% da população adulta. É um mercado de dimensão significativa, com um perfil demográfico que merece ser compreendido em detalhe.
Distribuição por faixa etária
A primeira vez que vi os dados etários do SRIJ, um número saltou imediatamente: os jogadores com menos de 45 anos representam 77% de todos os registos. Três quartos do mercado. O jogo online em Portugal é, antes de tudo, um fenómeno das gerações mais jovens.
A faixa etária 25-34 anos representa um terço do mercado — é o segmento dominante. São adultos no início da carreira profissional, com rendimento disponível, familiaridade com tecnologia digital e exposição constante ao desporto e à publicidade de apostas. É o público-alvo natural dos operadores e o segmento onde a competição por quota de mercado é mais intensa.
A faixa 18-24 anos domina os novos registos, representando 30,9% do total de novas contas. Este é o ponto de entrada no mercado — jovens adultos que criam a sua primeira conta de apostas, muitas vezes motivados por um evento desportivo específico, pela recomendação de amigos ou pela exposição a publicidade nas redes sociais. A taxa de retenção neste segmento é tipicamente mais baixa do que nas faixas etárias superiores, o que significa que muitos registos não se convertem em jogadores ativos a longo prazo.
A faixa 35-44 anos é o segundo segmento mais representado, seguida pela 45-54. Acima dos 55 anos, a presença cai significativamente. O jogo online é, em termos demográficos, uma atividade da primeira metade da vida adulta. Esta concentração etária tem implicações diretas para as políticas de proteção do jogador — os instrumentos de prevenção e intervenção devem ser desenhados para um público jovem e digitalmente nativo, não para o perfil etário mais elevado que caracteriza o jogo em casinos físicos.
Nacionalidade dos jogadores: o peso brasileiro
Se há um dado que consistentemente surpreende quem analisa o mercado português pela primeira vez, é o peso dos jogadores brasileiros. Entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2025, os jogadores com nacionalidade brasileira representaram entre 48,5% e 49,3% do total de registos de jogadores estrangeiros. Praticamente metade dos estrangeiros que jogam online em Portugal são brasileiros.
Este número reflete a dimensão e a dinâmica da comunidade brasileira em Portugal, que tem crescido significativamente nos últimos anos. Os cidadãos brasileiros residentes em Portugal, com documentação legal, podem registar-se em operadores licenciados pelo SRIJ da mesma forma que os cidadãos nacionais. E fazem-no em números proporcionalmente muito elevados.
Este dado tem implicações concretas para o mercado. Os operadores que queiram captar jogadores estrangeiros precisam de adaptar a comunicação, o apoio ao cliente e até a oferta de produtos para um público que, em quase metade dos casos, é lusófono mas com referências culturais e desportivas parcialmente diferentes. A liga brasileira de futebol, por exemplo, tem uma procura significativa entre estes jogadores — um mercado que os operadores mais atentos já exploram.
As razões para esta sobre-representação são múltiplas. O Brasil tem uma cultura de apostas desportivas em expansão acelerada, com o mercado regulado brasileiro a dar os primeiros passos. Os brasileiros em Portugal trazem consigo essa familiaridade com as apostas. O futebol — o desporto dominante nas apostas — é uma paixão partilhada por ambos os países, o que facilita a transição para o mercado português. E a barreira linguística é inexistente, ao contrário do que acontece com outras comunidades estrangeiras.
Para o mercado regulado, o peso brasileiro representa simultaneamente uma oportunidade (base de jogadores em crescimento) e um desafio (sensibilidade a diferentes normas culturais em relação ao jogo, potencial exposição a operadores ilegais que também operam em português). Os operadores que melhor compreenderem este segmento terão uma vantagem competitiva significativa num mercado onde quase metade dos estrangeiros partilham a mesma origem.
Tendências de novos registos
O ritmo de novos registos é o indicador mais direto do crescimento do mercado em termos de base de utilizadores. No quarto trimestre de 2025, foram criados mais de 230 mil novos registos. É um fluxo significativo que alimenta a expansão do mercado — mas que também coloca questões sobre a capacidade do sistema de verificação e proteção para acompanhar este volume.
A sazonalidade é um fator relevante. Os períodos de grandes eventos desportivos — início da época de futebol, Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo, finais da Champions League — geram picos de novos registos. Estes jogadores “de evento” podem tornar-se regulares ou desaparecer após o torneio, dependendo da experiência inicial e do nível de envolvimento.
Uma tendência que merece atenção é a relação entre novos registos e autoexclusões. Enquanto o mercado ganha 230 mil novas contas num trimestre, o total de contas autoexcluídas ultrapassa 361 mil no acumulado. O fluxo de entrada é superior ao stock de exclusão, o que sugere crescimento líquido, mas o rácio de 6,9% de autoexclusões sobre o total de registos indica que uma proporção significativa dos jogadores acaba por recorrer a este mecanismo. É um mercado que cresce, mas que também gera problemas numa escala que não pode ser ignorada.
Para quem está a considerar registar-se num operador pela primeira vez, estes dados oferecem um contexto importante. O mercado é maduro, regulado e em crescimento. Mas a taxa de autoexclusão lembra que apostar não é um passatempo inofensivo para todos — e que as ferramentas de proteção existem precisamente porque são necessárias.
Perguntas frequentes
[faq] [id=”1″ title=”Qual a faixa etária que mais aposta online em Portugal?” desc=”A faixa 25-34 anos representa um terço do mercado, sendo o segmento dominante. Os jogadores com menos de 45 anos representam 77% de todos os registos. A faixa 18-24 anos domina os novos registos com 30,9% do total.”] [id=”2″ title=”Quantos jogadores ativos existem no mercado português?” desc=”Aproximadamente 1,2 milhões de jogadores estiveram ativos no quarto trimestre de 2025, num universo de quase 5 milhões de contas registadas. Os jogadores ativos são aqueles que efetuaram pelo menos uma aposta no período.”] [/faq]